
Em Aizumagawa, próximo à parte baixa de Kaneyama, onde as águas dos rios Ogawa e Megawa se encontram, quando chovia muito, dava para pegar muito peixe.
Depois de um temporal, um homem que morava em Nishi-machi, foi logo saindo para pescar. Jogando a rede na correnteza mais volumosa que sempre, ficou esperando que entrassem peixes, mas justo nesta noite não entrou nenhum. E foi assim até perto do amanhecer. Relutantemente, o homem se preparava para voltar para casa, e quando tentou puxar a rede, bateu um vento morno de algum lugar. “Que estranho, é um vento esquisito” pensou o homem, e ao olhar para o lado da nascente do rio, enxergou um ponto de fogo. O fogo começou a rodar em círculos e num instante tinha se transformado numa enorme bola de fogo, e se aproximava em sua direção.
Enquanto olhava assustado, este fogo veio até a frente da rede, e apagou de repente. Mesmo achando estranho, o homem puxou a rede. Mas a rede estava tão pesada que não subia. “Será que entrou algum tronco de árvore, ou será que enroscou em alguma planta da margem do rio?”, pensou o homem, e puxou mais uma vez como toda a força.
“Peixe! Peixe! Nunca peguei tanto assim! Foi bom ter insistido até tarde”.
Era um baú cheio de peixe.
O homem ia guardando sua rede, muito feliz, quando, de algum lugar, apareceu um velho de barbas brancas e muleta.
“Você não poderia dividir um pouco desse peixe comigo?”, perguntou mansamente.
Mas o homem não queria dividir o peixe que pegou com tanto sacrifício com nenhum velho que nem sabia quem era e nem de onde vinha.
“Hoje foi um péssimo dia para pescar, não peguei nenhum peixe”,
disse, recusando asperamente. Então o velho disse
“Certamente isso é muito improvável”,
e sumiu em direção ao Kanayama.
O homem pensou “bem...”, e dizendo “e agora...”, foi pegar o baú, mas não o achou no lugar que havia colocado e nem nas proximidades. Procurou por todos os lados, mas não encontrou de jeito nenhum. O homem desisitiu uma vez e voltou para casa, e entrou nas cobertas para tirar uma soneca, mas não conseguiu dormir de raiva e mistério, pois havia pescado tanto. Ficou pensando nisto e naquilo, quando, de repente, lembrou do velho estranho de ontem à noite.
O homem pulou das cobertas, e saiu voando ao local de ontem à noite.
E, deste lugar, ao olhar em direção ao Kanayama,
“Sabia!”,
acabou dizendo alto. Não é que no pinheiro mais alto daquelas redondezas, o enorme baú de ontem à noite estava pendurado!
“Olha só, não é que o velho de ontem era mesmo o Tengu-san!”
Naquela época, na região de Kanayama, não havia residências, e toda a superfície da montanha era coberta por grandes árvores, e como tinha ouvido falar que lá morava o Tengu-san, e dizem que por medo e por arrependimento, o homem fugiu tremendo para casa.
Sem demora, o homem levantou uma pequena capela, onde divinizou Tengu-san, oferecendo os peixes que conseguiu pegar, depois disso. Esta capela, atualmente foi transferida, e agora é o Templo Akiba, dentro dos limites do templo Chiryu.
Fim