
Aconteceu na Era Edo.
A pousada Chiryu da estrada Tokai (Tokaido), tinha casas de Hatago (hospedaria) cujas calhas se enfileiravam uma ao lado da outra, sendo movimentadas à noite também, mas as ruas paralelas tinham bastantes bambuzais, sendo ruas solitárias.
Perto do bambuzal atrás de Shounenji (Templo Shounen), havia uma casa onde morava um casal de velhos.
Depois de fechar a porta,
“toc- toc, ei! Shoubee! Shoube!”
“toc-toc, ei! Shoubee! Shoube!”
Batiam a porta, chamando o nome.
Abrindo a porta apressadamente, não tinha ninguém lá fora. Se a porta é aberta uma vez, nesta noite não batem mais na porta. Mas na noite seguinte, mais uma vez bateram toc-toc na porta, chamando o nome do velho e fazendo-o abrir a porta.
E, um dia, aconteceu uma coisa inesperada, uma linda moça estava parada do lado de fora em frente à porta.
“O que aconteceu?”
“Estou em dificuldades, pois não sei o caminho”
“Onde pretende ir?”
“Quero ir para os lados de Komatsuji (templo Komatsu)”
“Se for assim, vá por aqui”
e, quando virou para trás, a moça não estava em nenhum lugar.
“Me pegaram de novo!”, murmurou o velhinho.
Outro dia, aconteceu uma coisa assim.
Era uma noite de inverno.
A velhinha estava tostando biscoito de mochi (arare ou boro), quando um aprendiz do templo apareceu e sentou-se na frente dela,
“Vovozinha, estou com fome, me dá um pouco de biscoito (boro)”,
disse, e a velhinha
“Sim, claro, pegue o lenço que eu embrulharei para você”.
disse, e o aprendiz pegou e abriu um lenço bem grande .
Quando a velhinha colocou a bolacha recém-preparada no lenço, e tão quente que podia até se queimar...
“ai, que quente! Quente!”
e dizendo isso, saiu fugindo. E é claro que neste momento o lenço já não estava mais lá.
Fim